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Leitura: Também não li nada sábado e domingo
Eu disse que tava devendo esse post, não disse?

O autor pode escolher qualquer foco narrativo e alternar entre eles, desde que se mantenha coerente com a sua escolha. Claro que se você optar por uma narrativa em primeira pessoa não pode sair por aí contando detalhes sobre um cenário do qual o seu herói ainda nem adentrou. A não ser que o narrador da história seja onipresente, poderoso e consiga por algum tipo de natureza burlar as leis da física como as conhecemos até hoje.
Sempre achei melhor escrever em primeira pessoa. Talvez seja um pensamento infantil de achar que assim fica mais fácil de passar o que eu quero para o personagem e fazer com que o leitor entenda logo de cara tudo o que ele pensa. Mas é claro que você tem diversas possibilidades – na terceira pessoa – de expressar o mesmo tipo de lógica, é só saber usar a técnica do foco narrativo.

Apesar de preferir escrever em primeira pessoa, o Projeto 16 está em terceira. Acho que foi uma tentativa de desafiar a mim mesma, risos. Talvez se eu conseguir terminar – ou melhor – QUANDO eu terminar o livro, vou poder dizer que enfrentei um desafio e venci, e que se eu consegui realizar do jeito que, na minha opinião, é o jeito mais difícil, poderei fazer qualquer coisa. =) Pode ser um pensamento meio arrogante; mas, por enquanto, tem sido uma válvula de força de vontade. Só ‘paro’ quando terminar, entende?
E o foco narrativo?
Essa é, foi e tem sido a parte mais difícil. Quando você faz escolhas na vida garanto que já se perguntou “e se” algumas vezes, estou certa? E se eu tivesse feito faculdade de Letras e não Jornalismo? E se eu tivesse morado nos EUA por um ano quando eu era adolescente será que eu teria conhecido as mesmas pessoas que hoje são meus amigos? E se eu não tivesse pedido demissão para me dedicar à escrita, como seria o meu futuro?
Dramaticamente falando – e vocês sabem o quanto eu gosto de ser dramática – escolher um ponto de vista para o livro é tão importante quanto essas escolhas da vida. Afinal, a voz do autor vai falar (também) por meio desse foco narrativo escolhido.
Você pode escolher o observador – conta a história por uma perspectiva de fora da história, não participa em momento algum -; Narrador-que-tudo-sabe (risos) – aquele que conhece até os medos e os gostos de cada personagem, detalhe por detalhe (claro que você pode escolher se quer saber tudo sobre apenas um personagem ou vários); e cameraman - apresenta os fatos da maneira como podem ser vistos.
Tem também o narrador personagem, que participa diretamente ou indiretamente da sua história. Pode ser o protagonista ou apenas a testemunha, personagem secundário, de qualquer forma, em ambos, por essa perspectiva sua visão é limitada. Como desafiadora de almas perdidas que sou (almas perdidas = eu), obviamente, escolhi este foco narrativo. Ponto de vista do personagem principal.
Claro, sou masoquista e gosto de sofrer. Já escolhi um tema e uma história SUPER complexa para o livro, ainda coloco empecilhos na narrativa para ficar ainda mais difícil. Ai ai. Eu não tomo jeito. Mas que tá ficando legal, tá? Dessa forma vou descrevendo pro leitor o que acontece e ‘vou’ descobrindo os fatos junto com ele, entende? Tudo é um mistério até para o protagonista. Não é fácil, porque você precisa manter a linha de pensamento limitado, senão perde a graça e – vou te falar numa boa – às vezes coça o dedo para contar logo tudo de uma vez.
Ah! Você pode também brincar com os tipos de narrativa independente da qual escolheu e de vez em quando soltar uma informação sobre o personagem ou sobre o cenário, como se fosse um intruso na história. Respeitando, é claro, as limitações das quais você mesmo criou.
Além disso, dá para alternar entre perspectivas. Pontos de vistas de personagens diferentes, alternar primeira e terceira pessoa. O livro é seu e você faz com ele o que você bem entender. A única coisa que não dá para fazer é confundir o leitor. E é aí que o autor não pode se perder e saber bem o que quer. Na mesma frase ou num mesmo trecho não dá para mudar de ‘visão’ ou você vai acabar dando a palavra para a Maria em vez do João. E aí o leitor vai pensar o quê?

Escolhi em alguns momentos dar a ‘voz’ para o antagonista. Não sei ainda se vou manter, porque quebra demais o clímax de alguns momentos; talvez seja só uma questão de reposicionamento, porém ainda não me decidi.
Gente, há diversas possibilidades de narração: principal, secundária, foco interno, foco externo, restritivo… o ideal é pegar um livro que explique minunciosamente cada um deles para escolher bem o seu. Lembrando que independentemente da escolha, a voz do autor é a identidade que vai fazer a diferença. Respeito demais aqueles que querem inovar e tentam algo diferente para a linguagem. Se sua mente estiver onde o coração estiver não tem erro.
É… além de dramática AMO ser brega. O paradoxo disso que é toda vez que acho que estou sendo brega no livro apago o trecho e reescrevo ele na versão não-brega, rs. :/ Vai entender.
Outra coisa para finalizar, pipow, não sou nenhuma expert no assunto; fiz um curso apenas, venho lendo muita coisa sobre narrativa e formatos no geral, mas isso não diz nada. E também não sou nenhuma dona da verdade. Acho que existe ainda muito formato que não foi explorado e estudado e ninguém deveria se prender a ‘tecnicalidades’, hihihhihihi.
Au revoir!

