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Em busca da liberdade

Escrevi esse conto – inspirado na imagem abaixo - há quatro anos. Provavelmente um daqueles momentos ‘oops, esqueci o leite no fogo!’

Yggdrasill - A árvore que sustenta o mundo

Em busca da liberdade

Há anos Egir queria encontrar o portal do caminho único da vida, chamado Yggdrasill, e onde supostamente ficava o fim do mundo. Quando tinha cinco anos, seu avô havia lhe contado histórias dos grandes deuses e da mitologia de seus ancestrais. Sua adolescência foi ocupada por contos sobre os que tentaram alcançar o eixo do mundo e a vida eterna e foram mortos por acidentes ou pelas guardiãs da árvore Yggdrasill, as Valquírias.

Egir havia prometido ao seu avô antes de morrer que iria encontrar a chave do portal que o velho tanto descrevia, quase como se tivesse visto o portal. Esse pensamento havia lhe ocorrido diversas vezes, e Egir não aguentava mais de curiosidade. Precisava ir em busca da sabedoria máxima.

Já haviam se passado dez anos desde que saíra de casa em sua jornada esperançosa e as situações que passara pelo caminho o deixava cada vez mais confiante que tal portal não existia e seu avô devia ser um louco varrido. Porém, sua convicção e, mais tarde veio a perceber, obsessão era tão irredutível, que não ia desistir enquanto não alcançasse seu objetivo. Havia puxado a teimosia de seu avô.

Em sua viagem obstinada, numa certa noite, encontrou-se com o velho guardião da estrada, portador de todos os segredos, com seu lobo branco deitado em seu pé esquerdo. O velho segurava um bastão de madeira cuja ponta emanava um fogo azul. Ao se aproximar do velho, perguntara sobre o portal da vida e ele respondeu:

- Encontrarás o portal quando tiveres certeza do que procuras…

- Eu sei o que procuro! – interrompeu Egir beirando ao desespero. – Sei o que me espera do outro lado do portal. A vida eterna e o conhecimento de tudo.

- Tu esperas encontrar o conhecimento de tudo, Egir?

O jovem de cabelos negros e barba curta, não percebeu que o velho havia dito seu nome, e continuou com sua teimosia convicta:

- Sim, há dez anos procuro o caminho único da vida, a sabedoria máxima. Como Mimir encontrou o poço da sabedoria, também hei de encontrar, nas raízes de Yggdrasill!

- Estás disposto a envelhecer em busca de uma vida, quando deveria estar vivendo-a agora? – disse de repente. O lobo que ao perceber a eloquência do homem, havia levantado a cabeça.

- Estou disposto a perder todos os anos da minha vida, se for necessário. Prometi ao meu avô que ia encontrar o portal, e passei a minha infância inteira me preparando para essa viagem. A busca é a minha vida! – enfatizou Egir. – É tudo o que tenho.

O guardião fechou os olhos por um momento, fazendo Egir pensar que estivesse dormindo e esquecido de sua presença. Seu bastão de fogo azul se tornou por um instante roxo e novamente azul. Quando o velho abriu os olhos, o lobo já voltara a sua posição inicial e sua respiração era fraca, fazendo as costas subirem e descerem num ritmo tranquilo.

- Não sei a resposta para a sua pergunta, Egir. Terás que refazê-la.

O jovem sentou-se numa pedra que havia ali perto, desolado, e olhou as estrelas no céu negro e se perguntou o que havia feito desde criança. “Por que buscava a vida eterna?”, pensou. A palavra liberdade veio a sua mente como todas as outras vezes.

- Quero ser livre. Procuro a liberdade e com a eterna sabedoria, sei que a terei – disse Egir, como se tivesse acabado de se lembrar de uma coisa muito importante.

- Tua liberdade é o que tu fazes, jovem. Tu és livre.

- Não sou – respondeu. – Tenho vida mortal como a de qualquer outro homem. Tenho necessidades e perguntas infinitas. Isso não é liberdade, é ilusão.

Nesse momento, pela estrada, veio cavalgando o centauro Frey, o bardo, muito conhecido na região por suas canções melodiosas, sobre vidas estranhas e desconhecidas, num mundo ansioso, efêmero, onde as coisas mudavam com muita frequência e o mundo rodava infinitamente. O centauro parou em frente ao guardião, entregou sua harpa e falou sem notar a presença de Egir ou a ignorando completamente:

- Saudações Balder! Qual o caminho devo traçar para encontrar a minha resposta sincera?

Sentado na pedra, com aparência de cansaço, Egir olhou primeiro para o guardião, depois para o lobo aparentemente adormecido. O velho fechou os olhos por um segundo e seu manto cinza balançou-se com o vento repentino.

- Precisarás de um guia se desejas encontrar a resposta sincera no lugar certo – respondeu o velho finalmente. – Seu caminho será revelado com a ajuda de meu companheiro, Fenrir. – Antes de ouvir seu nome, Egir reparou que o lobo branco já havia se levantado e erguido a cabeça em direção ao seu guardião como se esperasse uma ordem. Em seguida, o velho olhou para Egir e disse com sua voz rouca e fraca:

- Irás nos acompanhar. Antes de alcançar seu objetivo, você deve passar pela feiticeira Verdandi, uma das deusas Nornes.

- As guardiãs de Yggdrasill! – gritou o jovem eufórico.

- Não mais – explicou o velho. – Verdandi foi banida por cortar a corda do destino de outro homem para salvar a vida de seu amante e ter seu amor por toda a eternidade. Ao violar o comando dos Deuses, foi obrigada a deixar as irmãs e viver sozinha eternamente no presente, num mundo distante, sem direito ao passado e ao futuro. O que tu desejas saber, acredite Egir, está no teu passado e não no futuro. É de Verdandi que tu necessitas. Skuld nada terá a dizer sobre seu destino e Urd será tão impaciente quanto o próprio presente que vira passado imediatamente.

Todos sabiam que as deusas Nornes, irmãs que teciam o destino dos homens, há muito tinham sido esquecidas. Alguns as consideravam fábula de outrora para crianças. Egir estava cansado de viajar e vagar sem respostas, e sua vontade era arrancar as palavras do guardião se fosse preciso, mas sabia que só de pensar no assunto, estava sendo julgado pelo velho, portador de todos os segredos.

- Peço desculpas por minha impaciência, estou nessa busca há tantos anos, que às vezes perco as esperanças.

- Poucos levam menos tempo para encontrarem o que procuram… – disse o velho para ninguém em particular, fechando novamente os olhos.

Fenrir, o lobo, passou na frente de seu guardião, caminhou até o bardo que aguardava observando a conversa atento, e seguiu em frente liderando o caminho.

- O que procura, jovem? – perguntou o bardo para Egir, poucos minutos depois de terem partido.

Egir não respondeu à pergunta. Ao olhar para trás, percebera que o guardião havia sumido. Caminhavam por uma estrada de areia avermelhada e alguns metros a frente, o caminho revelou uma ponte de gelo que começava logo no fim da estrada. O lobo levantou os olhos e a cabeça na direção de Egir, mas nada mais fez. O bardo preferiu não insistir na pergunta e permaneceu calado até alcançarem o início de ponte.

- Por que não perguntou logo qual seria a resposta sincera que precisa? – indagou Egir ao bardo, começando a ficar apreensivo na subida escorregadia da ponte.

- Porque essa não seria a pergunta correta. Eu não teria recebido ajuda.

- Como sabe disso?

- Os segredos não são revelados de maneira óbvia, rapaz. Precisamos aceitá-lo em seus formatos oblíquos para solucionarmos a questão envolvida.

- Afinal, o que você quer saber, bardo? – Egir estava impaciente e se arrependeu imediatamente de ter soado ríspido.

- Preciso saber para quem devo cantar a minha última composição. Minha vida depende disso – respondeu o centauro com voz grave e fraca. – E também a da pessoa que deve escutá-la.

Egir preferiu não comentar e, por um momento, esqueceu-se completamente que caminhava sobre a ponte de gelo, transparente, até olhar para baixo e fitar o rio dourado que corria forte, formando pequenas ondas nas pedras ao se chocarem. O som que estava sendo emitido pelas águas, claro e suave, parecido com uma flauta, pensou o jovem, o tranquilizava.

Fenrir seguia em frente como se já conhecesse o caminho melhor do que as árvores locais.

- Parem aqui! – disse o lobo bruscamente, falando pela primeira vez, assustando Egir. Eles haviam alcançado a metade da ponte. – Esperem!

Uma eternidade de segundos se passara, quando uma grande águia surgira no céu trazendo uma corda no bico e um cetro nas patas e dera um rasante no lobo. Deixou cair a corda em cima do grupo, e como mágica, a corda enrolou os três num círculo. Em seguida, soltou o cetro que se fixou no centro da ponte gerando uma luz azulada, cegando Egir e o centauro momentaneamente. Depois disso, escuridão total. Ninguém viu mais nada.

Ao abrirem os olhos, os três haviam surgido em outro lugar, pois não havia mais ponte, rio ou árvores. Estavam numa estrada de cimento e logo adiante havia um Corsa cinza ano 2000 estacionado numa vaga, na estrada, ao lado de uma casa antiga de madeira. O centauro olhou assustado para ambos os lados e para Egir que abriu a boca de leve, mas não disse nada.

O jovem acabara de perceber que Fenrir não se encontrava mais com eles. Porém, apesar de abalado, ficou mais interessado na casa de madeira no meio do nada, e imediatamente caminhou em direção a ela, com a boca ainda entreaberta.

Egir subiu alguns degraus no hall de entrada, com o centauro ao seu encalço, e bateu de leve na porta aguardando resposta. Um vento bateu de leve em suas costas e a porta se abriu sem que ninguém a tivesse aberto. Entrou na casa fazendo sinal para o bardo lhe acompanhar, mal acreditando no que estava vendo.

Uma moça jovem, belíssima, de olhos azuis brilhantes e cabelos longos, lisos e avermelhados, surgira nas escadas da sala principal e parara diante dos dois.

- Sejam bem-vindos – disse. – Não costumo receber visitas no meu mundo. Creio que desejam conversar sobre o presente que já é passado de cada um… – disse a ruiva, com uma voz sussurrada, porém muito audível e atraente.

- Onde estamos? – Egir se adiantou para perguntar. Parecia hipnotizado pelo olhar da moça.

- No lar dos banidos. Na Terra dos humanos da Era do Experimento. Eu sou Verdandi. Muito prazer!

- Então é aqui que vive? – perguntou o bardo interessando-se pelo assunto.- O que é este lugar?

- Nosso povo do Norte não viveu nem viverá esta época. Nós lidávamos com as escolhas e as oportunidades de maneiras distintas, veem? Nesse mundo, os humanos criam cada vez mais novas formas de tentarem fugir das escolhas, com o intuito de alcançarem as oportunidades por meio de facilitadores tecnológicos. Tentam derrubar obstáculos que eles mesmos criaram, em outras palavras. Mas não foi para isso que vieram. O que desejam saber?

Egir esperou o bardo, que parecia muito impaciente, dar o primeiro passo, que aproveitou a hesitação do jovem para perguntar à feiticeira:

- Como saberei a hora de cantar minha última canção? E para quem devo a honra?

A feiticeira fitou os olhos do centauro com ternura e sinceridade e respondeu com voz firme:

- A sua resposta ainda não foi aceita pelos deuses. A pessoa que deve escutar a sua música precisa entender seu propósito dentro dela e, para isso, você precisa encontrar o portal do caminho único da vida, a árvore Yggdrasill.

Nesse momento, Egir levantou a cabeça e olhou obstinado na direção da jovem e interrompeu:

- Verdandi! Necessito encontrar tal portal. Como faço para encontrá-lo?

A feiticeira sorriu e respondeu em seguida:

- Basta encontrar a janela de madeira e a chave de prata. Ao tocar na chave, o portal será aberto e você terá a resposta que precisa.

- Para onde devo ir? – desesperou-se.

- Achei que não fosse perguntar – sorrira novamente a feiticeira. – No segundo andar, à direita. – A jovem mal havia terminado de falar e Egir fora correndo em direção à escada.

- Espere! – gritou o bardo subindo as escadas logo atrás de Egir. – Preciso receber minha resposta sincera, vou com você.

Ansioso e histérico ao mesmo tempo, Egir aguardou o centauro alcançá-lo na escada e juntos, subiram os degraus. Havia exatamente 6.144 degraus. Horas se passaram e após paradas para descansos, sem comida ou água, finalmente chegaram ao segundo andar.

Um corredor a frente surgia sem luminosidade e as paredes brancas ao redor eram rachadas e velhas, dando ar de podridão e desconforto. O piso era antigo, feito de papiro que se quebrava ao menor toque e no fundo do corredor estava a janela de madeira. Egir reparara que era uma janela flutuante. Como se existisse apenas por mágica. Olhou para a janela e viu o que tinha através dela. E foi quando reconheceu a imagem de seus sonhos que o atormentava desde criança quando seu avô lhe havia contado tudo sobre o fim do mundo.

Egir correu em direção ao fim do corredor. O bardo ficou de longe observando com a testa franzida e calculando seus próprios pensamentos. Quando Egir chegou a menos de um metro da janela, ele a viu: a chave de prata, finalmente sua reposta, do outro lado, flutuando de cabeça para baixo. Não muito longe da chave, viu uma espécie de fenda aberta no ar, como se tivesse sido cortada por uma faca dividindo um mundo em dois, e através da brecha, avistou a árvore Yggdrasill.

Nesse momento a feiticeira surgira no corredor e sua feição mudara completamente. Olhava para o bardo com tristeza nos olhos e lágrimas surgiam na face. Foi então que o centauro entendeu seu caminho.

- EGIR! NÃO! – gritou e galopou em direção ao jovem que havia esticado o braço e estava quase alcançando a chave do outro lado. – NÃAAO!

O jovem pareceu acordar de um transe, hesitou por alguns segundos e fechou os dedos se afastando da chave de prata. Seus olhos estavam arregalados de excitação e sua respiração brotava no peito com força. Enquanto tentava recuperar o fôlego, olhou para o centauro como se o tivesse vendo pela primeira vez e sentiu raiva.

- Você não deve pegar a chave! – disse o bardo, tentando acalmar sua própria voz. – Eu devo pegá-la, pois só assim poderei salvar a vida da feiticeira – finalizou a frase com sinceridade como se soubesse disso há anos.

- Preciso saber. É o meu destino! Eu prometi ao meu avô! – reclamou Egir com uma voz rouca e derrotada.

- Você prometeu encontrar o portal, não foi? Você o encontrou. Cumpriu sua promessa. Seu avô ficaria orgulhoso de você.

- E quanto à minha felicidade? E quanto às respostas para tudo?

- Há de encontrá-la! – disse a feiticeira se aproximando do jovem. – Dê-me sua mão! – Apesar de gentil, Egir reconhecera o pedido como uma ordem e não conseguira negar.

“Feche os olhos, enquanto digo o que deve fazer.”

Ao fechar os olhos, Egir ouviu a voz da feiticeira em sua mente, fazendo-o relembrar cada segundo de sua infância, desde antes da primeira memória que tinha de seu avô e de seus pais – que haviam falecido logo depois que nascera. Sua lembrança vagou até o início de sua viagem e tudo o que havia passado em busca do portal. Tudo o que havia aprendido e crescido durante a jornada. Agora fazia sentido. Até então não havia entendido que sua felicidade estava consigo o tempo inteiro, em cada momento, em cada busca e pergunta. A memória de seu avô era a única força que o mantinha na estrada, e ao entender que a vida era feita de escolhas, soube imediatamente seu caminho na vida. Já não precisava mais da sabedoria de Yggdrasill. Sabia a pergunta que deveria ter feito ao velho e que ia fazer assim que voltasse ao seu mundo, se é que existia um retorno.

Nesse momento, o bardo esticara a mão através da janela e tocara a chave de prata. Uma luz verde surgira do outro lado do portal, ultrapassando as paredes e a janela. Um barulho de vidro se quebrando viera em seguida e outro, causando surdez em Egir e, por fim, tanto a janela quanto o bardo haviam sumido.

Assustando Egir, o centauro ressurgira, de pé e de frente para Egir. Segurava sua harpa – a mesma que havia entregado ao guardião na estrada – numa mão e a chave com a outra. Apoiava-a com força entre o indicador e o dedão e só relaxou quando olhou para a feiticeira que o fitava de volta sorrindo.

Egir, por outro lado, não sorria, mas sentia-se tranquilo com tudo o que acontecera. Não queria esperar mais, precisava encontrar novamente o guardião da estrada. Precisava voltar para casa. Por um segundo, desejou perguntar ao bardo o que havia encontrado do outro lado do portal, se havia visto a árvore do fim do mundo… Mas desistiu.

- Verdandi, Frey, preciso ir! – disse fazendo uma leve reverência ao bardo e à feiticeira.

- Não deve ser difícil encontrar a saída, agora que já sabe o caminho – disse a feiticeira sorrindo e, em seguida, apontou para a direita do corredor. Pela primeira vez em muitos anos, Egir sorrira. A última vez que o fizera fazia muito tempo, pouco antes de seu avô falecer e sentiu-se bem, imediatamente.

Enquanto o jovem descia as escadas – agora com apenas 16 degraus em vez dos 6.144 -, o centauro começou a tocar sua harpa, dobrando e esticando os dedos, e sorrindo para a feiticeira… Finalmente Verdandi teria sua liberdade. A última canção do bardo destruiria o feitiço da punição que recebera e nunca mais poderia ser banida. E acompanhando o bardo, cantou:

“Fantasmas do frio chamam,
e através de névoas,
o som de asas invade,
o mais distante ser deixa de existir,
e em seu lugar, a líder das aves faz ecoar,
o grito de liberdade
para acompanhar seu nome.
Vem comigo para o sonho noturno
Vamos ser o que podemos ser
Nada está perdido
Nada nos será negado
Junte-se a mim

O homem que decide ser livre
Recebeu o prêmio da vida
Existente em nenhum outro lugar do mundo
Agora as estrelas nos chamam
Nenhuma terra há de negar sua presença
A tempestade te fez forte,
E o pesadelo se foi para sempre.”

Egir alcançara a metade do caminho da estrada de cimento de volta para onde havia surgido ainda escutando a música do bardo e da feiticeira, quando Fenrir, o lobo, aparecera à sua frente impedindo o caminho.

- Recebeu o que veio buscar, jovem? – perguntou o lobo com seus olhos azuis brilhantes e calmos.

- Talvez…  Vou descobrir agora – respondeu apenas.

Quando finalmente, de volta em seu mundo, e de frente para o velho guardião, Egir falou num tom sereno:

- Um homem com dois olhos vê uma razão. Um homem com um olho vê uma oportunidade. Um homem sem visão, vê esperança. Se é isso que o senhor afirma, por que me trouxe numa jornada cujo resultado você já sabia, Balder?

O velho olhou para os olhos de Egir e respondeu com um sorriso sutil:

- Para alguns, o aprendizado só vem com a experiência, meu jovem – e desapareceu junto com seu lobo branco.

 

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