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Bêbado da vida

A insanidade bateu completamente no meu ser inocente aos 16 anos de idade…

Nem tudo é o que nós vemos.
Nem tudo é o que sentimos.

A única certeza é a mais assustadora que é a que nós sofremos: a consequência. O mistério da consequência, a turgência da verdade nos faz pensar, e a cada momento, quando pensamos que acabou, o passado volta e prende com correntes seus pés com muito mais força do que quando vivíamos o presente.

O passado. Ah! O passado. O normal é querer crescer, mudar e com isso aprender. No entanto, quanto mais se aprende mais se retoma por onde começou. Voltas e voltas no mesmo lugar, aprendendo as mesmas coisas com conceitos diferentes, visões distintas. E no fundo, a vida é a morte e a morte é a vida.

Não se sabe ao certo quem fez o rótulo da vida, mas quando o fez, no mínimo era bêbado. Trepando numa árvore com ar de quem filosofa, ao cair do galho, o bêbado pensa; a vida será como digo: “Quando se espera estar na melhor, cairá para mais tarde conseguir se levantar e assim poder manter o ciclo da vida”.
E ao rotular a morte? Eu pergunto.

- Quando não houver mais motivos para cair, lhe derrubarei de vez, assim não mais voltará a se levantar – diz o bêbado.

Mas por que? Porque sim. Porque um bêbado é o que há de mais real no mundo. O que é mais aceitável como resposta. É a consequência de um ato. Portanto, a melhor realidade que uma ação pode conter. O sofrimento pós-ato. Consequência. Entende?

Quem somos nós, míseros mortais, diante de um bêbado que tirou a maior sorte? Que pode sonhar acordado e viver uma liberdade autêntica, ser livre do passado. Que pode trepar numa árvore e dizer; se eu cair eu fico, pois ainda estarei de pé no meu pensamento.

Quem somos nós diante de um bêbado que não sofre dores e não sente remorso? Que não julga, que não repara. Que enxerga de maneira única. Singular. Unilateral. “Unidirecional.”

Sim. Um bêbado. Nada mais que um ser com atitude. Criou a vida, criou a morte, só não criou o purgatório, pois este, com certeza, foi um sóbrio. Ninguém com a sabedoria de um bêbado faria um lugar como o purgatório. Que liberdade ou ilusão se pode esperar de um lugar como o purgatório? E a consequência disso?

Cair de uma árvore após o julgamento, seja ele qual for, e se levantar para tomar uma única decisão: se vai ser um bêbado ou não. Aprendendo que a única maneira de existir é ter um passado que terá consequência, sendo que a única maneira de realmente se viver é se tornando um bêbado. Respirar como um bêbado. Agindo como um bêbado, porém, pensando como um bêbado. Um bêbado da vida.

E o resultado? O fim da existência dos sóbrios. Apocalipse sem teor alcóolico.

Que será obviamente um ato de um bêbado, pois é a maior consequência já prevista. E, portanto, a mais válida.

 

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