A viagem de uma lágrima
Numa fatídica aula de matemática… (11 anos)
A lentidão com que me arrasto faz de minha beleza ainda mais soberba. Enquanto vou descendo, limpo todas as impurezas que tanto desejei limpar. Paro por um instante no caminho para refletir sobre minha causa. Por motivos misteriosos sou muitas vezes uma dádiva, na maioria, tradução de tristeza, mas hoje sou demonstração de um sentimento do qual ainda não sei definir.
Continuo meu indeciso destino, agora me desviando aos poucos para os lados, ainda tão forte como antes. Um último suspiro e uma sensação atormentada chega a mim, quando me vejo na beira de um abismo. Sinto-me finalmente livre quando em uma profundeza eterna me vejo caindo, tendo finalizado minha tarefa que até então havia permanecido uma incógnita. Mas na eternidade agora percebo o quanto sou necessária.
Não sou melhor que qualquer outra como eu, mas sinto-me curiosamente mais bela que qualquer uma que ainda não tenha se libertado.”
