À margem
Redação que escrevi na escola há mais de 10 anos…
“Não começa apenas pela margem de um rio, nem com o suave e excitante silêncio da noite, e sim pelo apelo e grito de um lamento do choro e desprezo de uma criança que não é amada.
A cada fantasia na solidão, rezando por uma pequena demonstração de amor. A visão do ódio da vida, vivendo-a sem rumo, sem ter pra onde ir e o que pensar. Acordar todo dia pela madrugada, ir em direção à janela e lamentar por esse triste murmúrio que é a vida. Olhar para as estrelas e a cada quarto de segundo sentir a sensação de dor, se vendo obrigada a respirar por meio de sofrimento e ódio.
Tendo que viver por um amor que não existe e jamais existirá, que conviver com pessoas que invadem seu espírito, sua alma sem deixar uma gota de saudade, ou qualquer símbolo de esperança do escravo espírito.
Sem poder se lembrar sequer de lamentos e alegrias anteriores, sem saber o que fez ou deixou de fazer numa vivência passada, sem ter o poder sobre o futuro e principalmente o passado… sem poder viver com a consciência de que pode controlar seu próprio presente. Sabendo que a chance é uma ilusão feita apenas para enganá-la de que um destino já foi traçado.
Sem família, sem amigos, uma alma criando unicamente a monstruosidade que é a falta de amor por si própria, vendo sua existência passar despercebida, não entendendo porque suas inocentes preces não eram devidamente atendidas.
Uma pessoa que nunca aprendeu a amar, como poderia? E a dúvida? Se continuaria sua trágica missão ainda desconhecida, procurando em vão por respostas, tornando sua existência ainda mais desconformada. E tudo que se pode esperar é uma vida sem caminhos, sem direção ou fins, nem mesmo um começo, apenas uma vida sem sentido.
As portas do paraíso era seu único pedido, pois não imaginava lugar pior. Sua única imaginação se tornava num grito de liberdade, onde sua falta se tornava cada vez mais insuportável. A capacidade de respirar cada vez mais árdua.
E então, após um grito de dor e alívio, ao enxergar pela primeira vez a mãe que lhe iria dar de mamar por um mês e depois a jogaria fora numa lata de lixo, com um último lamento, sabendo o que a esperava fora do quarto de hospital aparentemente calmo e confortável, a criança dobrou sua própria língua e com intenção de engolí-la, bloqueou sua respiração e descansou em paz.”
Obs: Mórbido demais, eu sei! Afinal, escrevi numa época conturbada da vida, também conhecida como adolescência, muito prazer!
